quarta-feira, 9 de abril de 2014

Do pedestal

Hoje compreendi um pouco as minhas vizinhas. E desci do pedestal.

São mulheres que trabalham dentro e fora de casa. Madrugam. Fazem o serviço de casa. Deixam os filhos com avós, na creche, na escola. Trabalham o dia todo. Voltam no fim do dia com os filhos só para continuar o serviço doméstico. E gritam. Gritam muito com os filhos. O tempo todo. Os menores choram. O tempo todo. Os maiores gritam. O tempo todo.

Eu, tendo ajuda três vezes por semana, cuidando só do filhote, nunca grito com ele, dificilmente me descabelo. Mantenho a postura e a doçura, mesmo quando são só disfarce. E critico as vizinhas.

Pois hoje minha ajuda faltou. Arrumei “malemá” a casa e comecei a fazer o almoço. Miguel requeria minha atenção todo o tempo. Perdi muito a paciência. Senti muita raiva. E muitas vezes não consegui disfarçar. Levantei a voz, me irritei, fiz gestos bruscos, lamentei em voz alta.

Aí compreendi o quanto de conexão e paz de espírito são necessárias quando o cuidado com o filho não é a única atividade e há outras prioridades a serem atendidas.

É claro que nada justifica a falta de respeito, agressividade e mesmo violência com os filhos, mas me leva a olhar mais fundo, respirar com mais calma, refletir com sinceridade e cuidar muito mais da relação.


Mesmo assim, hoje desci do pedestal. E vi as vizinhas com mais humildade e humanidade.

3 comentários:

  1. Vc já leu esse texto:
    http://familia.com.br/a-questao-relevante-sobre-o-grito
    Chorei que me lavei! Por tudo o que já gritei, mesmo que agora já não o faça (por diversos motivos, entre os quais ter apoios os mais variados na vida), por tudo o que já me descabelei e agora já consigo não me descabelar, pela importância da concexão com os filhos, mas também da conexão com uma rede afetiva com pessoas que fazem a diferença na nossa vida e na educação dos nossos filhos. Prazer em te (re)conhecer.

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  2. Oi Laura, já li sim! E outros dessa handsfreemama. É, sem dúvida, uma inspiração!

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  3. Clá adorei este teu texto. Singelo e honesto. Muito bom!

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