segunda-feira, 12 de setembro de 2016


Decidir é aprender sobre si mesmo

Ontem fomos a uma praça que nunca tínhamos ido. Tínhamos amigos reunidos em um piquenique. Algumas crianças passaram a andar se equilibrando sobre um meio fio que cercava o tanque de areia e os brinquedos.

Lolo, 1 ano e meio, quis andar também e me chamou para auxiliá-la. Caiu várias vezes. Ralou o joelho e chorou. Continuou. A cada vez que se desequilibrava ou caia, ralava os pezinhos, reclamava um pouco e seguia.

Demos umas três voltas, eu oferecendo uma das mãos para apoiá-la. Ela, caindo, levantando e seguindo. Paramos um pouco pra ela ver o irmão jogando bola. Logo retornamos ao meio fio.



Quanto pulsar vital nessa criança (e em todas). Não importa o machucado, a dor, o cair. Importa seguir, continuar, superar-se, conseguir.

Sei que poderia tentar poupá-la para que não se ferisse, interferindo para que parasse seu desafio auto imposto. Quanta frustração eu causaria. Deixei para ela essa decisão. Eram nela que doíam (ou não) os pequenos machucados.



Nada de muito grave poderia lhe acontecer pois a brincadeira era segura e eu estava ao seu lado, de mãos dadas.

Ela, do alto de seus 18 meses, pode decidir se quer ou não continuar com algo que, de alguma forma, está a lhe causar algum incômodo.

Fiel ao seu desejo de superar-se, Lolo ergueu-se todas as vezes e seguiu, só parando quando já não lhe interessava o brinquedo.

Há decisões que as crianças podem, e devem, tomar. Miguel nunca gostou de roupas de frio e num inverno intenso estava lá, de shorts e camiseta, extraindo comentários de espanto. Nunca se resfriou por conta disso. Aliás, crianças de outras partes do mundo estariam usando os mesmos trajes que ele no nosso inverno tropical.

Lolo não nega o sangue quente e no frio inverno de 2016 passou muitos dias literalmente pelada. Até a fralda se recusa a usar ultimamente, fazendo um xixizinho aqui, um cocozinho acolá, que vamos limpando enquanto ela ainda não quer sentar, pelo menos por muito tempo, no pinico\privadinha.

E por que não deixá-la decidir? É ela quem sabe da sua temperatura, quem está aprendendo o que é sentir frio.


Sempre digo ao Miguel que há muitas coisas que ele sabe mais do que eu. São coisas sobre ele. 

É essa confiança que os faz seguir firmes seu coração e aprender sobre si mesmos.

3 comentários:

  1. Lindas e sábias palavras, Clarissa. Também tenho duas crianças pequenas e sei bem como é difícil, mas ao mesmo tempo reconfortante, saber que apesar de estarem se machucando um pouco, estão também aprendendo, adquirindo confiança, crescendo. Beijão!

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  2. Aprendendo, adquirindo confiança, crescendo, de mãos dadas.....

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  3. Muito bem mamãe, devemos deixá-los experimentar a vida, mas sempre alí do lado, dando força e confiança.
    Bjs querida, até!

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