sexta-feira, 28 de março de 2014




Miguel e a bola






Amiga querida me pede pra relatar a paixão do Miguel pela bola. Estava escrevendo um artigo que fala da relação das crianças com o Boi e com a Bola. Que honra! Aí vai:



Não me lembro quando a forma redonda, circular, entrou na vida do Miguel. Foi muito cedo, e veio pra ficar. Desde muito pequeno ele se interessa por círculos. A lua foi uma paixão natural; a bola, amor à primeira vista.
 Tudo é bola. Em tudo ele a vê. Bola de futebol, de basquete, de tênis, de pebolim, de sinuca. Uva, laranja, limão, mexerica. Cebola, semente, ralo, prato, maçaneta. Óculos, janela, banco, pão de queijo. O zero, a letra O, o planeta terra. O gosto pelo pepino cortado em círculos. Formas arredondadas compõem quadros, livros, móveis, roupas, carros, embalagens.
 Tudo é visto a partir dela: “olha a bola”. “Papai, desenha a bola”, muitas vezes por dia. “Onde tá minha bola?”, primeira frase matinal. É o brinquedo favorido carregado a tiracolo por onde anda. “To dando mamá pra bola” me diz quando a segura junto ao peito.
 Já se apaixonou por uma pequena bola azul de futebol: “bola, você é muito linda, você é azul, você é prática, eu te joguei lá embaixo...”, por outra amarela, pela bola murcha, por uma laranja, pela branca e preta de futebol, atual companheira inseparável. “Mamãe, canta a música Oi Oi Oi, Olha aquela bola”.
 Santas bolinhas antroposóficas e homeopáticas.
 Em casa as bolas são de todos os tipos e tamanhos, de bola de sabão a “bolinha de gudinha”. “Eu chutei a bola e marquei um gol” ele conta quando alguém o chama ao telefone. Fotos, sempre com a bola, parâmetro e lente a partir da qual descobre o mundo... redondo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário