domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sobre uma dor de ser mãe

Sono. Cansaço. Ainda cansada desse entra e sai em casa. De tanta troca com outras famílias, outras pessoas. De manter o bom humor, a simpatia. De agradar. De ser amável, solícita. De cuidar da casa. De cozinhar. De receber. Me dei muito nas últimas semanas. Ansiando por silêncio e calma. Por solidão. Essa solidão da qual fugi a vida toda. Pela qual me atraio cada vez mais. Me firmo nela quanto mais me firmo em mim, em quem sou, no que de fato quero. 

Quero cada vez mais dentro e menos fora. Cada vez mais introspecção. Não me reconheço. Meu filho. Miguel. Causa e consequência dessa transição. Ele que é tão pra fora, tão externo, que evita o tédio a todo custo e também a solidão. Com quem aprendeu senão com a mãe. Filho amado. Como acertar? Como respeitar? Como respirar antes de agir com você? Como fugir do automatismo e ser empática, e te acolher, e acolher seus sentimentos, suas reações, suas explosões. 

Filho amado. Te quero tanto. Te sinto tão distante, tão desconectado de mim, tão desesperado por emoções, por prazeres efêmeros. Como posso te ajudar? Como posso me ajudar? Quero me ajudar pra poder te receber melhor. Te acolher melhor. Te abraçar. Te olhar nos olhos. 

Saudades de você, amor, de te amar incondicionalmente. De te ter como impulsionador das minhas mudanças. E você é. Ainda é. Segue sendo meu grande guia. Te sigo. Quero aprender com nossa relação. Quero não mais te ferir. Não mais te magoar, não deixar marcas em você. Sua frustração é minha frustração. Não te quero frustrado e fico colocando camas elásticas pra você cair. E mesmo assim você se magoa, não vê meu esforço, não vê que poderia ser pior. Filho. Quero reconhecimento, será? Que quero?Não vou ser capaz de amornar sua frustração, de amortecê-la. Só posso te acolher. A frustração é. Será. Sempre. Sempre será. Conviva com ela. Eu tenho que aprender a conviver com ela. A aceitá-la. A enfrentá-la. 

São seus dias. E são só dias. Dias que desaparecerão. Dos quais você não se lembrará. Mas são seus dias. E as marcas podem sim te acompanhar pra sempre. Filho. Quero tua alegria, mas onde está a minha alegria de viver? Quero teu entusiasmo, mas onde o meu? Quero aprender. Contigo aprendo. Sigo aprendendo. Amor, tem tanto amor pra você, tanto amor por você. Te quero filho amado. Que possamos nos encontrar, nos abraçar, nos entregar. Sinto muito se te magoei. Você é meu grande amor. 

Um comentário:

  1. Eu fico aqui...te ouvindo (lendo), pulsando contigo e emanando todo amor de uma amizade (e maternagem) sincera. <3 <3 <3

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