sábado, 14 de junho de 2014

(Re)Aprendendo o tempo todo

Às vezes chegamos a um lugar em que nos sentimos seguras, donas da situação: sei lidar com meu filho, sei como ele age e reage, sei o que fazer e o que não fazer. E o retorno parece certeiro, principalmente aos olhos de outras pessoas que comentam como ele é tranquilo, “bonzinho”, fácil de lidar. É aí que mora o perigo. Sim, pois é muito fácil, a partir daí, “ligar o automático” e se esquecer de estar presente e conectada de fato. É como se estivesse tudo “sob controle”, e então o caos se instala.

Os últimos foram dias difíceis. Muitas mudanças: desmame, mudança de casa. Nos últimos 10 dias dei muito pouca atenção ao Miguel, isso depois de passarmos por um desmame doloroso, muito sentido por ele que, até hoje, pede pra mamar.

Pois sofri as consequências de achar que estava tudo sob controle e de me “ausentar” da relação. Miguel era outra criança: irritado, choroso, querendo só colo, pouco colaborativo, mandão, teimoso, indócil, insatisfeito, agressivo até.

Tive que voltar ao chão, retomar o contato, parar tudo e olhá-lo, ouvi-lo, afagá-lo. E era tudo tão óbvio, tão evidente que o “caminho mais fácil” é o mais difícil, que evitar “perder tempo” no meio da mudança para estar de fato com ele implicaria em perda de tempo real tentando apaziguar os ânimos, meu e dele.

É um reaprendizado diário, um lembrete contínuo de que não se deve descuidar da presença, do carinho, da atenção, do amor.

Foi essa a lição que esses dias me trouxeram: a conexão nossa de cada dia, todo dia, sem acomodação nem descuido.

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